

Estudantes do segundo semestre de graduação de Arquitetura da FAU-USP visitam a Fazenda do Pinhal
Estudantes da disciplina “Estudos em História da Arquitetura e do Urbanismo”, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e Design da USP (FAU/USP), acompanhados pelas professoras Dra. Andrea Buchidid Loewen e Dra. Joana D’Arc de Oliveira, realizaram uma visita à Fazenda do Pinhal no dia 24 de junho de 2026.
Segundo a Profa. Andrea Loewen, a disciplina propõe:
“[…] discutir a produção do conhecimento sobre as formas de moradia na América Portuguesa, com foco especial na casa e em suas diversas conformações e arranjos. Sob essa perspectiva, o curso busca estimular e desenvolver pesquisas sobre o habitar de diferentes grupos étnicos — como povos originários, quilombolas, escravizados e famílias brancas e negras do período escravista — que ocuparam o território brasileiro nos três primeiros séculos. Para isso, a disciplina destaca os sujeitos envolvidos nos processos construtivos, seus saberes e suas práticas.”
Com o objetivo de conhecer os espaços de moradia, ao longo do percurso o grupo visitou a antiga senzala, a colônia, a casa da família Zacarias e Silva e o casarão da Fazenda do Pinhal. Além disso, os estudantes visitaram o arquivo.
Ao longo do dia, os alunos puderam se aproximar dos contextos de produção dos espaços de moradia na Fazenda, comparando diferentes formas de construir e de ocupar o espaço. Também foi possível observar e compreender distintas técnicas construtivas presentes nos edifícios, a partir das características da arquitetura vernacular.
No arquivo, além de fotografias e documentos textuais, os estudantes tiveram contato com diferentes projetos de intervenção realizados na antiga senzala, refletindo sobre como as transformações projetadas para o local contribuíram para a configuração atual do edifício. Em paralelo, a visita à área de escavação arqueológica do edifício e a apresentação de alguns resultados desse trabalho permitiram evidenciar como a arqueologia se apresenta como possibilidade de lidar com os repetidos apagamentos pelos quais o local passou, mobilizando a materialidade como forma de pôr luz em histórias antes desconhecidas. Assim, foi possível refletir acerca dos limites da arquitetura e do patrimônio edificado como testemunhos históricos, bem como problematizar o papel do arquiteto e do pesquisador nos processos de preservação e conservação.
Sobre a visita do grupo à Fazenda do Pinhal, a Profa. Andrea Loewen acrescentou:
“O contato com esse espaço e com as pesquisas do Centro de Estudos, Pesquisa e Educação (CEPE) — que investiga as memórias locais e atende pesquisadores externos a partir de um acervo de livros, documentos e objetos — permite ao corpo discente analisar diretamente a materialidade das construções e confrontar as diferentes maneiras de lembrar e registrar o passado.”
Além dos alunos, acompanharam a visita Lucília Siqueira, professora de História, Memória e Patrimônio do curso de História da Unifesp e coordenadora-geral da Fazenda do Pinhal, e Lorena da Silva Telles, professora substituta do Departamento de História da Unifesp e pesquisadora do Núcleo de Pesquisa e Formação em Raça, Gênero e Justiça Racial (AFRO Cebrap). Para acessar mais fotos, clique aqui.